Natal do Senhor | Missa do Dia
«Toda a gente tem falado, desde há séculos, das três Missas de Natal; hoje, deve, de facto, falar-se de quatro:
(...) a primeira, a que o Missal chama Missa da Vigília, para ser celebrada na tarde do dia 24, antes ou depois das Primeiras Vésperas da Solenidade. É esta a Missa que será celebrada como Missa vespertina. Celebrada, antes da recente reforma litúrgica, na manhã do dia 24, quando a expressão Vigília designava simplesmente o dia anterior a uma solenidade, sempre como preparação para ela, essa Missa revestia então certo carácter penitencial (...) Hoje essa Missa é festiva; é a primeira Missa do Natal. (…)
(...) a Missa da Noite começou por ser a conclusão da vigília noturna celebrada em Roma. (...) Esta Missa é, de noite, na continuação da Vigília que é louvável celebrar (cf. IGLH 71, 215) (...) A Missa da noite (...) recebeu o nome, que se tornou tradicional, de Missa do Galo. O nome é a apenas uma indicação da hora a que ela é celebrada.» Na divisão da noite, dos antigos, em quatro vigílias, «a terceira vigília, que começava à meia noite, era chamada a do cantar do galo, por ser nesse espaço de tempo que os galos começavam a cantar. (…)
(…) A Missa da Aurora foi, na origem, uma Missa, não do Natal mas em honra da mártir da Igreja do Oriente S. Anástácia, celebrada em Roma, neste dia de aniversário do seu martírio.» Visto que o Papa presidia a todas as celebrações, esta era celebrada logo na aurora, para que este estivesse disponível para a Missa do Dia, na Basília de São Pedro. No tempo do «Papa S. Gregório a Missa da Aurora recebeu textos referentes ao Natal do Senhor. (…)
(…) A Missa do Dia, é, como se disse, a principal, a verdadeira e tradicional Missa maior da Solenidade do Natal do Senhor, como a história do passado e os textos do presente o atestam.(…)
Da Roma papal do século VII, o costume das várias Missas do Natal divulgou-se fora da cidade, (...) E assim o Dia de Natal ficou, desde então, enriquecido com formulários de várias Missas, que ainda hoje se conserva.»
(Ferreira, José, A Celebração Litúrgica do Natal do Senhor in A Celebração do Mistério do Natal,
3ª edição, pp 93-95, Fátima, Secretariado Nacional de Liturgia, 2018)
(Is 9, 6)
"Um Menino nasceu para nós, um Filho nos foi dado.
Tem o poder sobre os seus ombros e será chamado Conselheiro admirável."
[Outras Sugestões]
Is 52, 7-10
Todos os confins da Terra verão a Salvação do nosso Deus
Esta leitura é constituída pelo belo e solene pregão que serviu outrora ao profeta para anunciar a Boa Nova ao povo de Deus em tempo de desolação e de abandono; esse mesmo pregão serve para nos anunciar agora a nós mensagem ainda mais feliz, a que nos traz o nascimento do Salvador de todo o mundo.
Leitura do Livro de Isaías
Como são belos sobre os montes os pés do mensageiro que anuncia a paz, que traz a boa nova, que proclama a salvação e diz a Sião: «O teu Deus é Rei». Eis o grito das tuas sentinelas que levantam a voz. Todas juntas soltam brados de alegria, porque vêem com os próprios olhos o Senhor que volta para Sião. Rompei todas em brados de alegria, ruínas de Jerusalém, porque o Senhor consola o seu povo, resgata Jerusalém. O Senhor descobre o seu santo braço à vista de todas as nações e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.
Palavra do Senhor.
Salmo 97 (98), 1.2-3ab.3cd-4.5-6 (R. 3c)
Todos os confins da terra
viram a salvação do nosso Deus.
Cantai ao Senhor um cântico novo
pelas maravilhas que Ele operou.
A sua mão e o seu santo braço
Lhe deram a vitória.
O Senhor deu a conhecer a salvação,
revelou aos olhos das nações a sua justiça.
Recordou-Se da sua bondade e fidelidade
em favor da casa de Israel.
Os confins da terra puderam ver
a salvação do nosso Deus.
Aclamai o Senhor, terra inteira,
exultai de alegria e cantai.
Cantai ao Senhor ao som da cítara,
ao som da cítara e da lira;
ao som da tuba e da trombeta,
aclamai o Senhor, nosso Rei.
Hebr 1, 1-6
«Deus falou-nos por seu Filho»
Jesus é a própria palavra de Deus, encarnada, feita homem no meio dos homens, mais reveladora de Deus do que a de todos os profetas, mais qualificada do que a de todos os outros mensageiros que vieram antes d’Ele ter vindo ao mundo. Ele é a imagem do Pai por quem tudo foi feito; pela sua morte purificou a humanidade de seus pecados e recebeu em herança todos aqueles que n’Ele acreditaram e a Ele se entregaram. Esses sentam-se com Ele à direita de Deus. Ele é o nosso Salvador e o nosso Deus. Por isso, O adoramos juntamente com todos os Anjos.
Leitura da Epístola aos Hebreus
Muitas vezes e de muitos modos falou Deus antigamente aos nossos pais, pelos Profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por seu Filho, a quem fez herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo. Sendo o Filho esplendor da sua glória e imagem da sua substância, tudo sustenta com a sua palavra poderosa. Depois de ter realizado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da Majestade no alto dos Céus e ficou tanto acima dos Anjos quanto mais sublime que o deles é o nome que recebeu em herança. A qual dos Anjos, com efeito, disse Deus alguma vez: «Tu és meu Filho, Eu hoje Te gerei»? E ainda: «Eu serei para Ele um Pai e Ele será para Mim um Filho»? E de novo, quando introduziu no mundo o seu Primogénito, disse: «Adorem-n’O todos os Anjos de Deus».
Palavra do Senhor.
Santo é o dia que nos trouxe a luz.
Vinde adorar o Senhor.
Hoje, uma grande luz desceu sobre a terra.
Forma longa Jo 1, 1-18
«O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós»
O Natal não é apenas o nascimento de um menino. É um mistério, uma realidade divina que se esconde e ao mesmo tempo se revela no nascimento desse Menino. É o Nascimento no meio dos homens do próprio Filho de Deus. O evangelista chama-Lhe o Verbo, isto é, a Palavra, Aquele por quem o Pai Se dá a conhecer aos homens e deles faz seus filhos. O evangelista tenta desvendar-nos todo esse mistério neste poema admirável com que abre o seu Evangelho.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. Apareceu um homem enviado por Deus, chamado João. Veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos acreditassem por meio dele. Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. Veio para o que era seu e os seus não O receberam. Mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade. João dá testemunho d’Ele, exclamando: «É deste que eu dizia: ‘O que vem depois de mim passou à minha frente, porque existia antes de mim’». Na verdade, foi da sua plenitude que todos nós recebemos graça sobre graça. Porque, se a Lei foi dada por meio de Moisés, a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. A Deus, nunca ninguém O viu. O Filho Unigénito, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer.
Palavra da salvação.
EVANGELHO – Forma breve Jo 1, 1-5.9-14
«O Verbo fez-Se carne e habitou entre nós»
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. No princípio, Ele estava com Deus. Tudo se fez por meio d’Ele e sem Ele nada foi feito. N’Ele estava a vida e a vida era a luz dos homens. A luz brilha nas trevas e as trevas não a receberam. O Verbo era a luz verdadeira, que, vindo ao mundo, ilumina todo o homem. Estava no mundo e o mundo, que foi feito por Ele, não O conheceu. Veio para o que era seu e os seus não O receberam. Mas àqueles que O receberam e acreditaram no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Estes não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus. E o Verbo fez-Se carne e habitou entre nós. Nós vimos a sua glória, glória que Lhe vem do Pai como Filho Unigénito, cheio de graça e de verdade.
Palavra da salvação.
(Salmo 97, 3)
"Todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus."
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