Missa Vespertina da Ceia do Senhor [Quinta-feira Santa]
«(...) À noite, entrando no Tríduo Pascal, a comunidade cristã revive na Missa in Cena Domini o que aconteceu na última Ceia. No Cenáculo o Redentor quis antecipar, no Sacramento do pão e do vinho transformados no seu Corpo e no seu Sangue, o sacrifício da sua vida: ele antecipa esta sua morte, entrega livremente a sua vida, oferece o dom definitivo de si à humanidade. Com o lava-pés, repete-se o gesto com que Ele, tendo amado os seus, os amou até ao extremo (cf. Jo 13, 1) e deixou aos discípulos como seu distintivo este acto de humildade, o amor até à morte. Depois da Missa in Cena Domini, a liturgia convida os fiéis a estar em adoração do Santíssimo Sacramento, revivendo a agonia de Jesus no Getsémani. E vemos como os discípulos dormiram, deixando o Senhor sozinho. Também hoje nós, seus discípulos, muitas vezes dormimos. Nesta noite santa do Getsémani queremos estar vigilantes, não queremos deixar o Senhor sozinho nesta hora; assim podemos compreender melhor o mistério da Quinta-Feira Santa, que inclui o tríplice dom do Sacerdócio ministerial, da Eucaristia e do mandamento novo do amor. (...)»
(Bento XVI - Audiência Geral das Quarta-Feira de 7 de Abril de 2007)
"Toda a nossa glória está na cruz de Nosso senhor Jesus Cristo.
N’Ele está a nossa salvação, vida e ressurreição. Por Ele fomos salvos e livres."
[cf. Gal. 6, 14]
- Nota ao Acolhimento dos Santos Óleos
Diz o Rito do Acolhimento dos Santos Óleos, proposto e publicado pelo SNL em 2019:
« 1. Este rito é uma proposta para o início da Missa Vespertina da Ceia do Senhor, mediante o qual são recebidos os Santos Óleos nas diferentes comunidades. (...) 8. Uma vez incensado o Altar e a Cruz, o celebrante dirige-se à presidência e continua a celebração com a saudação inicial finda a qual faz uma pequena admonição ao rito de acolhimento dos Santos Óleos.» (in Rito do Acolhimento dos Santos Óleos - números 1 e 8)
Segue-se a apresentação de cada um dos óleos, com diálogo próprio, e com a proposta de intervenção do coro com a estrofe específica de cada óleo, retirada do hino Escutai, ó Juiz Omnipotente. O Rito conclui com o coro canta a aclamação aos Santos Óleos, com o hino Aceitai, ó Redentor ou Escutai, ó Juiz Omnipotente.
O Rito completo está disponível na página do Secretariado Nacional da Liturgia, em Rito do Acolhimento dos Santos Óleos
- ACLAMAÇÃO DOS SANTOS ÓLEOS
Após a aclamação de cada Óleo, «o coro pode cantar a estrofe própria do sacramento a que se destina o Óleo Santo seguida do refrão», neste caso, do hino Escutai, ó Juiz Omnipotente (Cantemos ao Redentor):
- Óleo dos Enfermos – Estrofe 3
- Óleo dos Catecúmenos – Estrofe 4
- Óleo do Crisma – Estrofe 5
- CONCLUSÃO
«13. No final o presidente incensa os Santos Óleos enquanto o coro canta o cântico de aclamação aos Santos Óleos Aceitai, ó Redentor, nosso cântico de louvor ou Cantemos ao Redentor. Terminada a incensação, dirige-se de novo à presidência, seguindo-se o Acto Penitencial, Kýrie eleison, Glória, conforme o formulário da Missa Vespertina da Ceia do Senhor.» (in Rito de Acolhimento dos Santos Óleos).
[Ex 12, 1-8.11-14]
Preceitos sobre a ceia pascal
Jesus é o verdadeiro Cordeiro pascal que, na sua Paixão, realiza a verdadeira e definitiva libertação do povo de Deus. A Eucaristia é o memorial da sua Paixão; Jesus tomou para sacramento deste memorial precisamente a ceia pascal do Antigo Testamento, mas dando-lhe sentido novo, fazendo-nos assim compreender que a Páscoa antiga encontra a consumação perfeita na sua Páscoa. Como o povo de Deus do Antigo Testamento repetia a ceia pascal em memória da sua passagem do Egito para a Terra Prometida (a Páscoa antiga), assim agora o povo do Novo Testamento celebra a Eucaristia em memória da Morte e Ressurreição de Jesus (a Páscoa Nova), em que se realiza a passagem deste mundo para o Pai.
Leitura do Livro do Êxodo
Naqueles dias, o Senhor disse a Moisés e a Aarão na terra do Egipto: «Este mês será para vós o princípio dos meses; fareis dele o primeiro mês do ano. Falai a toda a comunidade de Israel e dizei-lhe: No dia dez deste mês, procure cada qual um cordeiro por família, uma rês por cada casa. Se a família for pequena demais para comer um cordeiro, junte-se ao vizinho mais próximo, segundo o número de pessoas, tendo em conta o que cada um pode comer. Tomareis um animal sem defeito, macho e de um ano de idade. Podeis escolher um cordeiro ou um cabrito. Deveis conservá-lo até ao dia catorze desse mês. Então, toda a assembleia da comunidade de Israel o imolará ao cair da tarde. Recolherão depois o seu sangue, que será espalhado nos dois umbrais e na padieira da porta das casas em que o comerem. E comerão a carne nessa mesma noite; comê-la-ão assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas. Quando o comerdes, tereis os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. Comereis a toda a pressa: é a Páscoa do Senhor. Nessa mesma noite, passarei pela terra do Egipto e hei-de ferir de morte, na terra do Egipto, todos os primogénitos, desde os homens até aos animais. Assim exercerei a minha justiça contra os deuses do Egipto, Eu, o Senhor. O sangue será para vós um sinal, nas casas em que estiverdes: ao ver o sangue, passarei adiante e não sereis atingidos pelo flagelo exterminador, quando Eu ferir a terra do Egipto. Esse dia será para vós uma data memorável, que haveis de celebrar com uma festa em honra do Senhor. Festejá-lo-eis de geração em geração, como instituição perpétua».
Palavra do Senhor.
[Salmo 115 (116), 12-13.15-16bc.17-18 (R. cf. 1 Cor 10, 16)]
O cálice de bênção é comunhão do Sangue de Cristo.
Como agradecerei ao Senhor
tudo quanto Ele me deu?
Elevarei o cálice da salvação,
invocando o nome do Senhor.
É preciosa aos olhos do Senhor
a morte dos seus fiéis.
Senhor, sou vosso servo, filho da vossa serva:
quebrastes as minhas cadeias.
Oferecer-Vos-ei um sacrifício de louvor,
invocando, Senhor, o vosso nome.
Cumprirei as minhas promessas ao Senhor,
na presença de todo o povo.
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[1 Cor 11, 23-26]
«Todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice,
anunciareis a morte do Senhor»
Na última Ceia, Jesus institui a Eucaristia, e entregou-a à sua Igreja, para que, na Eucaristia, a Igreja encontrasse, até ao fim dos tempos, quando Ele vier, o memorial da sua Páscoa, isto é, da sua passagem deste mundo para o Pai, pela Morte à Ressurreição. Esta leitura é a mais antiga narração chegada até nós da instituição da Eucaristia pelo Senhor, e da sua celebração pela Igreja, neste caso, na Igreja de Corinto.
Leitura da Primeira Epístola do apóstolo S. Paulo aos Coríntios
Irmãos: Eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, tomou o pão e, dando graças, partiu-o e disse: «Isto é o meu Corpo, entregue por vós. Fazei isto em memória de Mim». Do mesmo modo, no fim da ceia, tomou o cálice e disse: «Este cálice é a nova aliança no meu Sangue. Todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de Mim». Na verdade, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciareis a morte do Senhor, até que Ele venha.
Palavra do Senhor.
Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei.
[Jo 13, 1-15]
«Amou-os até ao fim»
Pelo Seu gesto, que constitui um dos momentos importantes da Ceia Pascal, Jesus manifesta-nos, concretamente, a Sua realidade de «Servo», ou seja a Sua humilhação, que atingirá o limite extremo na Cruz. Recorda-nos, na hora da Sua passagem para o Pai, onde está a essência da Sua doutrina. Manda aos Seus discípulos que, como Ele e com Ele, estejam ao serviço humilde, generoso e eficaz dos irmãos.
Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo segundo São João
Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que chegara a sua hora de passar deste mundo para o Pai, Ele, que amara os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim. No decorrer da ceia, tendo já o Demónio metido no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a ideia de O entregar, Jesus, sabendo que o Pai Lhe tinha dado toda a autoridade, sabendo que saíra de Deus e para Deus voltava, levantou-Se da mesa, tirou o manto e tomou uma toalha, que pôs à cintura. Depois, deitou água numa bacia e começou a lavar os pés aos discípulos e a enxugá-los com a toalha que pusera à cintura. Quando chegou a Simão Pedro, este disse-Lhe: «Senhor, Tu vais lavar-me os pés?». Jesus respondeu: «O que estou a fazer, não o podes entender agora, mas compreendê-lo-ás mais tarde». Pedro insistiu: «Nunca consentirei que me laves os pés». Jesus respondeu-lhe: «Se não tos lavar, não terás parte comigo». Simão Pedro replicou: «Senhor, então não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». Jesus respondeu-lhe: «Aquele que já tomou banho está limpo e não precisa de lavar senão os pés. Vós estais limpos, mas não todos». Jesus bem sabia quem O havia de entregar. Foi por isso que acrescentou: «Nem todos estais limpos». Depois de lhes lavar os pés, Jesus tomou o manto e pôs-Se de novo à mesa. Então disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Vós chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem, porque o sou. Se Eu, que sou Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz, vós façais também».
Palavra da salvação.
ANTÍFONA I
"Para nos dar exemplo, o Senhor levantou-Se da mesa
e começou a lavar os pés aos seus discípulos."
(cf. Jo 13, 4.5.15)
ANTÍFONA II
R. Senhor, Tu vais lavar-me os pés? Jesus respondeu-lhe:
Se não te lavar os pés, não terás parte comigo.
V. Quando Jesus Se aproximou de Simão Pedro,
Pedro disse a Jesus:
R. Senhor, Tu vais lavar-me os pés ...
V. O que Eu vou fazer, não o compreendes agora.
Mais tarde o compreenderás.
R. Senhor, Tu vais lavar-me os pés ... (Jo 13, 6.7.8)
ANTÍFONA IV
R. Todos conhecerão que sois meus discípulos,
se vos amardes uns aos outros.
V. Disse Jesus aos seus discípulos:
R. Todos conhecerão que sois ...
(Jo 13, 35)
ANTÍFONA V
"Dou-vos um mandamento novo, diz o Senhor:
Amai-vos uns aos outros como Eu vos amei."
(Jo 13, 34)
ANTÍFONA VII
R. Permaneçam em vós a fé, a esperança e a caridade.
Mas a maior de todas é a caridade.
V. Agora permanecem a fé, a esperança e a caridade.
Mas a maior de todas é a caridade.
R. Permaneçam em vós a fé ... (1Cor 13, 13)
ANTÍFONA III
Se Eu vos lavei os pés, sendo Mestre e Senhor, também vós deveis lavar os pés uns aos outros.
(cf. Jo 13, 14)
este é o cálice da nova aliança no meu Sangue, diz o Senhor.
Fazei isto em memória de Mim."
(1 Cor 11, 24.25)
«16. Organiza-se a procissão (...) e leva-se o Santíssimo Sacramento, através da igreja, para o lugar da reserva, preparado numa capela convenientemente ornamentada. Entretanto canta-se o hino Pange, lingua (Canta, Igreja, o Rei do mundo) com excepção as duas últimas estrofes, ou outro cântico apropriado.
17. Chegada a procissão ao lugar da reserva, o sacerdote depõe a píxide. Seguidamente, põe incenso no turíbulo e, de joelhos, incensa o Santíssimo Sacramento. Entretanto canta-se o Tantum ergo sacramentum.»
